DRAGÕES é um projeto de montagem do monólogo “Os
dragões não conhecem o paraíso”, com o
ator Mateus Schimith, sob a
direção de Edvard Passos. A
dramaturgia é uma transposição, na íntegra, para a cena do conto homólogo de Caio Fernando Abreu. O processo criativo debruçar-se na expressão
dramática inserida na literatura para denunciar o estado de solidão
compartilhado nas relações contemporâneas, especialmente situada nos centros
urbanos.
Na dramaturgia, Caio Fernando Abreu
cria uma atmosfera imaginária, por vezes divertida, para trazer a tona
sentimentos frequentes, como a solidão da ausência do amor, tema recorrente do
livro com o mesmo título, tido pela crítica como melhor obra entre as escritas
pelo autor. O amor está sempre associado ao medo, à loucura, à morte, à
memória, ao sexo, de forma que se distancia de uma visão romântica, tão
frequente ao se abordar o tema, sem deixar de ser sutil e poético.
Um
homem preso por suas angústias em seu apartamento, narra sua relação com um
dragão que o visita constantemente. Refletindo a dificuldade de sobreviver na
ausência desta única companhia, traça caminhos possíveis de como trazê-lo de
volta, ou de como manter-se vivo sem a presença dele. Em súbitos momentos
reconhece que, mesmo sabendo que toda esta história de dragões é uma mentira,
inventada por ele mesmo, se torna dependente desta história para trazer sentido
à sua vida. Em um denso conflito existencial, o personagem nos faz refletir a
solidão voraz que habitam dezenas de residências pelo mundo e da necessidade de
amar, mesmo que em sonho.