SOLIDÃO – um tema que sempre esteve presente na humanidade, em todas
as formas de vida neste planeta e que sempre se relacionará com o desejo de
sobrevivência em todos os povos. Não poderia ser diferente nos fantasiosos
realismos de Caio Fernando Abreu.
A solidão se tornou objeto de expressão nas artes, com a força e
viceralidade romântica no início dos tempos modernos, ainda no final do séc.
XIX. Com o passar dos anos, o tema se modificou em suas expressões, sem deixar
de estar presente em grande parte das obras artísticas na contemporaneidade.
Com o avanço do desenvolvimento global, pautado no lucro, as relações humanas
se tornaram ainda mais confusas e fragmentadas. Nas artes, enfraqueceu-se o
rompante romântico para uma denuncia mais próxima da realidade.
Em Caio Fernando Abreu este tema se traduz na obscuridade de falar
sobre o amor, sempre transbordando a angústia da vida urbana, em sujeitos
fictícios que possuem todas as características de um ser humano perdido em meio
a prédios e avenidas. Mesmo mergulhado na obscuridade das relações humanas,
Caio tras poesia e fantasia para falar deste tema com a dose de poesia
possível.
Em nossos meios urbanos a solidão se traduz em números, pelas
estimativas de suicídios, se pensarmos que esta decisão drástica tomada por um
ser humano é resultado da exacerbação de que está sozinho no mundo e que não
fará falta à humanidade. No Brasil, embora seja considerado baixo índice (5 em
100 mil habitantes) houve um aumento significativo de 17% de casos, nos últimos
10 anos, evidenciando-se que os casos de jovens são os mais recorrentes. É preciso refletir mais sobre essas sensações de
solidão que já ocupou o pensamento do humano. De uma forma que possamos
compreender como lidar e encontrar caminhos de ser feliz.